sexta-feira, 16 de maio de 2008

Do mundo que herdamos ao que deixaremos

Nos idos de 76 a 79, na Praça 11 ou Praça dos Veteranos, lá em Jaguaribe, a gente (eu e Nen - meu irmão) costumava brincar com uns peixinhos que algém teria colocado em uma poça de água gerada por um vazamento de uma torneira, que mais parecia uma nascente de água mineral. Essa poça parecia um pequeno lago com margaridas e papoulas ao redor... a única restrição era a de que ninguém poderia colocar os pés na água para não sujar, mas beber podia! :)

Hoje vi um gari limpando umas folhas que estavam obstruindo a entrada de uma galeria dessas que ficam no canteiro das ruas. O que não entendi bem foi porque ele também não retirou os sacos de pipoca, copos descartáveis e mais algumas sujeiras que o pessoal ainda faz questão de jogar no chão.
Acho que esses caras (os garís) recebem uma ordem do tipo: "é pra limpar as folhas, o resto não é culpa da prefeitura!".
O que muita gente faz questão de não lembrar é que por menor que seja o resíduo dispensado nas ruas, ou em qualquer ambiente, causa danos à natureza. E que ela (a natureza) está começando a reagir... vamos raciocinar um pouco: atualmente a população mundial gira em torno de 7 bilhões de pessoas, se estipularmos que 50% desse montante não joga lixo nas ruas (o que seria uma maravilha), teríamos 3,5 bilhões de pessoas poluindo nosso planeta diariamente, sem contar com os desmatamentos, poluições industriais, os milhões de carros expelindo CO2 na atmosfera... exagero!?!? Bem se você acha exagerado, é só acompanhar os noticiários para perceber que a natureza está começando a reagir.
Todo mundo ouve falar em efeito estufa e aqueciemnto global, mas acredito que a maioria ainda não se deu o trabalho de pensar que é esse o mundo que deixaremos para nossos filhos. Nosso planeta está se tornando uma verdadeira panela-de-pressão. O calor não está se dissipando como há dez ou vinte anos.
No Chile, um vulcão "ressusitou" depois de 7 mil anos, nos pólos as geleiras estão derretendo, causando o avanço do mar (a ponta do Cabo Branco é um exemplo). Tsunamis e terremotos devastadores na Ásia (ah, até terremotos em São Paulo!); e os furacões? O Catarina no sul do Brasil, o Katrina nos Estados Unidos, milhares de desabrigados, centenas de mortos... a coisa tá ficando feia, e quanto mais a gente vê e fala sobre o assunto, mais ele se torna "normal".
Aí você pode até estar se perguntando: e o saquinho que não foi recolhido pelo gari? Bem, o acúmulo do lixo inorgânico (aquele que a natureza não consegue 'digerir' - ex.: um papelzinho de bala, um copo descartável, latinhas de bebidas, etc) pode causar desde doenças como cólera, tifo, febre amarela, dengue e leptospirose - porque acumulam água e servem de abrigo para os hospedeiros dos vírus que causam essas doenças - até desabamento de barreiras, enchentes e destruição de habitats naturais, como os mangues.
A estimativa de estudiosos é que daqui há 20 anos as grandes geleiras estarão reduzidas a menos de 50% - o aumento do volume de água dos oceanos será monstruoso; mais de 20% das espécies que habitam o planeta serão extintas; os efeitos dos raios ultra-violetas serão devastadores - cerca de 30% da humanidade será vítima de algum tipo de câncer de pele; a água potável estará escassa; a maioria das reservas florestais irá definhar e se transformarão em desertos ou savanas; alimentos do tipo carnes e vegetais serão congelados e seus preços quadruplicarão; os países de 3º mundo serão as principais vítimas de epidemias - piores que a do vírus Ebola - causadas pelo acúmulo de lixo. E o pior é que esse processo já começou há algum tempo!

"Um planeta muito mais cinza do que verde... um mar com mais lixo do que peixes... um céu com mais fumaça do que nuvens... e mais mísseis do que aves! Cidades com mais "mosntros" que humanos... Um mundo com mais ódio que amor!" (retirado do Yahoo repsostas)

Esse é o mundo que deixaremos para nossos filhos?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Momentos de tensão

Há algumas semanas Érica voltou a praticar capoeira e desde então, toda segunda, quarta e sexta eu e Juan a pegamos sempre às 21h.
Em nossa ida até o centro da cidade conversamos sobre algumas coisas cotidianas como colégio, brincadeiras e algumas travessuras da galerinha.
Ontem não foi diferente. Saimos às 21h e logo ele me pediu para contar algumas de minhas 'encrencas da minha época' - nunca havia me imaginado usando essa expressão!
Contei-lhe do dia em que eu e alguns amigos fomos fazer uma trilha, de bicicletas, no Altiplano. Ele achou incrível o fato de uns 6 ou 7 garotos sairem de bicicleta num sol de rachar e nenhum pensou em levar, se quer, uma garrafinha com água! Enfim, depois que eu contei que matamos a sede com cocos tirados da praia e cajus que econtramos no caminho, ele percebeu que em determinadas ocasiões a gente tem que usar a criatividade pra se virar...
Pegamos Érica, e já estávamos voltando pra casa quando nos aproximamos do contorno da universidade (entrada dos Bancários), e lá ouvimos o barulho de tiros (era bala mesmo, à vera). Eu reduzi a velocidade do carro e observei um movimento suspeito à frente. De repente uma pessoa sai correndo do meio do mato, e ouvimos mais uns dois tiros. A princípio cheguei a pensar que era o barulho do escape de algum carro, mas quando ouvi novamente aquele barulho abafado, tive a certeza de que algo estava errado. Mais à frente havia doi ônibus parados e duas pessoas abraçadas e ajoelhadas no chão como se estivessem brigando. Foi quando Érica disse: "ele tá armado!". Acelerei o carro, e por instantes percebi que um dos caras segurava uma arma (acho que um 38, cromado) enquanto o outro tentava segurar o braço do que estava armado, apontando a arma para o chão, para que ele não atirasse, mas mesmo assim ele ainda conseguiu dar uns 3 ou 4 disparos sempre repedinto a frase: 'solta ... Juan estava no banco do passageiro e chegou a ver a luta entre os dois homens.
Por alguns poucos segundos corremos o risco de sermos atingidos por uma 'bala perdida'. Por alguns segundos meu filho deparou-se com uma cena de violência extrema. Por alguns segundos eu pude ver o medo no olhar do meu filho como eu nunca tinha visto... é nessas horas que a gente tem certeza de que realmente somos regidos por uma força maior!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Amor incondicional

São raras as vezes que não reclamamos com Juan a respeito de tarefa de casa, pé no chão frio, toalha molhada na cama... mas uma coisa é certa: não medimos esforços para demonstrar nosso amor, com todo cuidado para não exagerar, é claro - mesmo porque menino mimado de mais não dá certo.
Érica às vezes exagera, mas tudo bem, ela é mãe-coruja, e certamente deixaria tudo só para ficar deitada, agarradinha ao pimpolho nesses dias chuvosos.
É interessante a diferença entre minha forma e a de Érica de demonstrar esse amor. Por vezes eu o pego nos braços, beijo e abraço também, mas não o chamo de "doçura" ou "meu amor", afinal de contas somos homens, machos! :)
Mas o que demonstra a sinceridade desse sentimento é como nos olhamos. O olhar realmente 'fala' em determinados momentos. Percebo isso no brilho do olhar de Érica enquanto o observa dormindo. O mesmo olhar também consigo perceber nele, quando vem abraçar e beijar a mãe, sem mais nem menos, simplesmente porque 'deu vontade', como ele mesmo diz. Por fim, percebo meu olhar marejado enquanto penso em meu filho, sem ver a hora de chegar em casa e abraça-lo, beija-lo, mas também dar bronca quando necessário, mandar calçar a sandália, fazer a tarefa de casa... porque é essa a maneira que encontrei de ensina-lo como amar incondicionalmente.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dia das Mães

O mercado é cruel quando se trata de datas comemorativas. Se a gente parar um pouco pra pensar, vivemos num mundo tão alienado e com tanto egoísmo, capitalismo, consumismo... - Lennon em Give Peace a Chance ("ismo isso, ismo aquilo, ismo, ismo, ismo...) - que mal percebemos que, na maioria das vezes, presenteamos as pessoas mais queridas apenas em determinados dias do ano.
É esse conceito, entre tantos outros, que tento "diluir" um pouco da personalidade do meu filho. Faço com que ele perceba que não presenteamos as pessoas apenas naquelas datas ditas especiais, mas sim quando nos sentimos felizes.
Domingo é Dia das Mães (e ainda tem que ser em letras maiúsculas!). Perguntei a Juan quantos dias no ano ele gostaria de presentear a mãe dele. E claro, ele me disse que Érica merecia um presente a cada dia do ano... hehehe. Ele está certo! A minha mesmo merece três! :)

ps: comprei aquele Super Trunfo dos dinossauros!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A danada da virose

No último final-de-semana passamos momentos de angústia com Arthur (o amado primo) internado no Amip com a tal virose... apesar de não gostar de levar Juan em hospitais, fomos visita-lo no domingo. Era de partir o coração ve-lo chamar por "Di" até nos sonhos. E um dos comentários nesse dia era que Juan não adoecia há uns dois anos. Ah, tava bom de mais pra ser verdade...

Quando cheguei em casa ontem por volta das 17:30 encontrei Juan assistindo televisão. Ele olhou pra mim e encheu os olhos d'agua. Sentei ao lado dele e perguntei se houve algum problema no colégio...
-Filho, o que houve?
-Nada... (às lágrimas)
-Diga a pai o que houve... foi no colégio? Tá sentindo alguma dor?
-Dor-de-cabeça... foi por causa do barulho quando a tia colocou um filme pra assistir. Todo mundo começou a gritar! (choro à vera) - logo coloquei-o nos braços e percebi que o problema era outro. Ele estava com 39º de febre...
Daí pra frente foi uma verdadeira maratona. Dei uma dose de Dalsi (antitérmico) e vitamina C, mas depois de quase uma hora a febre continuava.
Eu já havia ligado para Érica, ela estava vindo do trabalho e me disse que aguardava na parada de ônibus da Universidade.
Aprontei Juan, peguei Érica como combinado e fomos direto para o Amip. Chegando lá, a cena era de caos... cerca de 15 crianças aguardando atendimento. Dois médicos e uma única enfermeira para dar conta de tudo. E pra piorar, quando deu 20h o segundo médico encerrou o expediente, deixando apenas Dra. Rejane, a plantonista da noite.
Depois de mais de uma hora aguardando, finalmente fomos atendidos.
Juan havia vomitado em casa e no caminho do hospital. E sempre que ele vomita, o esforço faz com que apareçam uma pintinhas vermelhas na bochecha e ao redor dos olhos, foi assim desde novinho. Ele tem uma hipersensibilidade nos micro-vasos faciais, mas nada de preocupante - segundo Dr. Fernando Cunha Lima.
Quando a médica percebeu as pintas, logo pediu para que um hemograma fosse providenciado, pois aquele era um indício de dengue hemorrágica. Quando ela disse isso meu coração foi no chão! E o pior de tudo é que o Amip não fazia o exame naquele horário, daí ela pediu para que a enfermeira colhesse o sangue, e nos encaminho para o laboratório do Memorial São Francisco, na Torre.
Eu tive que conversar muito para Juan poder deixar colher o sangue, mesmo assim ele ainda chorou bastante, o que fez aumentar ainda mais pintinhas do rosto...
Como combinado, deixamos o material no laboratório e fomos pra casa aguardar o resultado. Eu iria ligar depois de uma hora para o Amip, pois o resultado seria enviado via fax pelo MSF.
Juan estava com a barriga inchada, cheio de gases, e pra completar, não fazia cocô há 2 dias (fez agora, às 10:30 da sexta-feira, 25/04). Ele se queixava muito de dores abdominais, mas depois de uma dose de Luftal, as dores passaram e ele conseguiu dormir.
às 23h eu liguei para o Amip perguntando do fax, elas me responderam que ainda não havia chegado e pediram para que eu ligasse para o MSF, assim o fiz. O cara do MSF disse que o fax havia sido enviado e confirmou até o nome completo de Juan. Lá vou eu ligar novamente para o Amip... dessa vez meus créditos acabaram. Peguei o celular de Érica, liguei novamente para o Amip. A menina lá disse que não havia recebido o fax e que iria entrar em contato com o MSF. Depois de uns 15 minutos liguei novamente. Ela disse que o fax do MSF tava com defeito e que o rapaz do laboratório havia passado o resultado do exame por telefone e que a médica ainda iria olhar. Ah, aí eu fiquei puto, e disse que era um caso de urgência e que nós dependíamos disso para saber se Juan estava com dengue hemorrágica ou não. Se deveria se internado ou não!!! Não fui muito delicado com a coitada da recepcionista, mas que se dane os bons modos numa hora dessas! Rapidinho ela foi entregou o resultado a médica e me disse que ela (a médica) ligaria de volta.
Depois de uns 10 minutos a médica do Amip liga. De acordo com os exames ele não estava com dengue... ufa!
Às 23:30 fui ao MSF pegar o exame para levar no Amip, desconfiando do resultado passado por telefone, claro. A médica olhou e realmente confirmou o diagnóstico. Era a danada da virose!
Ele agora está bem melhor, mas a febre continua. A tarde retornaremos ao Amip para a médica avaliar o quadro novamente.

Terror: o vômito de Juan saiu avermelhado. Quando a médica falou em dengue hemorrágica nós quase infartávamos juntos, eu e Érica. Mas logo lembramos que Juan havia levado um suco de uva para o lanche do colégio... :)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

passei dos 35!

Ontem foi meu aniversário (Fabiano, brasileiro, 35 anos). Também foi dia de São Jorge, do qual sou devoto. Enfim, o importante é que cheguei aos 35 com saúde, graças a todos os deuses, anjos, santos e tudo o que for sagrado! Mas o que me tirou do sério foi uma mensagem enviada por Mãe que dizia: "foi o dia mais feliz da minha vida, 23 de abril de 1973. Parabéns, te amo" (só em reler, meus olhos se enchem de lágrimas)... essa foi forte! A surpresa foi grande porque eu nunca recebi uma mensagem desse tipo de Mãe. Nós (ela e os filhos) sabemos que o amor é tão grande que fica difícil expressa-lo em palavras. E quando alguém tenta fazer isso é como se tocasse direto em seu coração. É muito forte... e ontem Mãe conseguiu tocar o meu, chorei discretamente aqui no trabalho! :)
O restante do dia foi normal, algumas ligações, muitos recados no Orkut. É bom receber o carinho das pessoas, principalmente aquelas que a gente não tem mais contato direto. Os velhos amigos da Escola, da faculdade... ultimamente tenho ficado muito nostálgico, e chorão também!
Juan Diego me cumprimentou pelo Gtalk. Geralmente ele não tem acordado quando eu saio para vir ao trabalho, então ontem Érica o colocou online. Eu achei o máximo! :)
A noite fui à academia, jantamos pizza... depois brinquei um pouco com Juan e fomos dormir.
Um dia perfeito! Graças a Deus!

A novidade agora é que estou deixando o cigarro pra valer... :)

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Maleducado"

Acho que uma falha que cometemos foi não acostumar Juan a nos chamar de "senhor" e "senhora". Hoje estamos forçando a barra para ensina-lo a usar os pronomes corretos quando se referir a pessoas mais velhas. Nem as avós escapam! É sempre "vó, tu viu aquele filme?", "mãe, tu faz sanduíche?", "pai, tu vai pra piscina?". Agora, mesmo com essa forma de se dirigir aos mais velhos, Juan nunca foi de desrespeitar. Nunca "discutiu" ou xingou algum adulto - como vejo muitas crianças fazerem hoje. No meu tempo era tapa na boca pra aprender a não chamar palavrão (como se resolvesse alguma coisa :) Mas com Juan a coisa é na base da conversa. Nunca fui de bater pra ensinar... mas se for realmente necessário, um bolo bem dado sempre traz a lembrança de fazer a coisa certa. Talvez seja essa a teoria da "psicopêia" da nossa saudosa Tia Zezé, que vez ou outra criticava o comentário dos "experts" em educação infantil - e criticava com toda a categoria de uma mãe que dedicou sua vida a educar sete filhos.
Definitivamente, um dos maiores prazeres pra mim é ver Juan se divertindo... seja numa praia, praça, na rua jogando bola ou andando de bicicleta, até mesmo na frente do computador jogando, enfim, o que eu gosto é de ver meu filho saudável e feliz. Talvez por isso é que às vezes a gente não perceba que o "cabra" está cheio de caprichos e manhas.
Pois é, ontem foi feriado. Passamos o dia na casa de Mãe, Juan e Letícia jogaram video-game, brincaram de bola, e depois de jardineiros (ficaram imundos). A noite fomos pegar Érica no Tambiá e os dois brincaram mais ainda na área de lazer. Depois da brincadeira cada um ganhou um sorvete - foi aí que começou a bronca de Juan Diego. Ele queria um sorvete de 3,50, mas só tinha dinheiro para 2 de 1,50 (um pra ele e outro pra Lê), eu não quis dar mais dinheiro justamente para que ele aprendesse a dividir o pouco que tinha. Ele disse que não queria outro sorvete se não fosse aquele "bendito" de 3,50, e quando viu que eu iria comprar o de Letícia mesmo assim, voltou atrás.
Depois do sorvete (meio emburrado), já de volta pra casa, perguntei se ele havia gostado do dia que passamos juntos e ele respondeu com um "não" seco, curto e grosso, que me deu nos nervos. Érica imediatamente perguntou se ele não estava satisfeito com tudo o que a gente tem feito. Depois eu falei que ele tinha, praticamente, tudo o que pedia e que a partir de hoje (ontem) a gente iria dar um tempo nos passeios e presentes. Que ele só iria brincar no prédio com os colegas, não iria jogar no computador durante a semana. Falei também que ele começasse a observar o quanto nós nos esforçamos para lhe dar uma boa vida (Érica trabalhando de domingo a domingo... e eu, quebrando a cabeça e estudando muito, para garantir esse novo emprego, que sinceramente considero uma bênção dos deuses).
Então é isso, as rédias encurtaram um pouco para Juan Diego, mas nada tão dramático. Vamos passar umas duas semanas conversando e mostrando a ele que nem tudo tem que ser do jeito que ele quer... mas sem bolo, por enquanto! :)